Vêm de Inglaterra, o que é perigoso, pois trata-se de um território onde analistas, jornalistas, revivalistas e outros istas há muito procuram, com preocupante insistência, uma banda que substitua o quarteto fantástico de Liverpool. Sem êxito, felizmente. Os The Sunshine Underground (nome roubado a uma música dos electrónicos The Chemical Brothers) não são apontados como os sucessores dos Beatles, e isso fica-lhes bem. E eu também não os vou meter nesse patamar perverso. São bons. E disso não tenho grandes dúvidas. A seu favor têm, à partida, o facto de não serem de Liverpoool nem de Londres. Vêm de Leeds, ou de lá perto, conheceram-se na escola, como acontece com inúmeros grupos, e tocam um indie-rock estranhamente dançável. A rampa de lançamento deste quarteto foi a tourné britânica dos norte-americanos LCD Soundsystem. Depois de conquistarem o seu espaço em estúdio, gravaram Raise the Alarm, o disco de estreia, e fizeram-se à estrada. Na Primavera do ano passado passearam-se pelos principais festivais rock da Europa e, «em casa», asseguraram o título de Melhor Banda ao Vivo no Leeds Music Awars, relegando para segundo plano os Kaiser Chiefs, mais «adultos», mais mediáticos e já habituados a tocar para plateias gigantes, que enfrentam de peito feito e conseguem conquistar ao fim das primeiras canções entoadas, como aconteceu nas duas actuações que vi deles, na primeira parte dos concertos dos U2 em Barcelona e em Lisboa, em Julho e Agosto de 2005.Funcionam bem ao vivo, já se percebeu. Mas arrebatar e pôr aos saltos milhares de pessoas não se faz apenas com energia. E, diz quem já os viu, os The Sunshine Underground têm-na para dar e vender. A fórmula mágica que faz funcionar os rapazes de Leeds é a inteligência, e a habilidade, para fazer a ponte entre o indie rock e a dance, com as guitarras, ajudadas por alguns pedais de efeitos, a assumirem o protagonismo. Se quisermos desmontar o código genético dos The Sunshine Underground poderíamos encontrar como principais influências o movimento Madchester (com os Happy Mondays como protagonista) e os nova-iorquinos The Rapture. Ou, resumindo o projecto de uma forma mais simples e eficaz, trata-se de «uma banda de festa», diz o vocalista Craig Wellington. O cruzamento destes dois mundos torna-se evidente nos temas Put You in Your Place, I Ain’t Loosing Any Sleep ou Wake Up, por exemplo. Mas há mais, igualmente bom, ao longo de todo o disco. Com dois ou três temas menos conseguidos, Raise the Alarm revela-se, no final das contas, uma belíssima estreia. Bloc Party, Franz Ferdinand, Kasabian e Kaiser Chiefs têm concorrência forte… muito forte.
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