Os discos deviam ter sempre um filme como ponto de partida. Nem que seja um filme, que nunca tenha chegado às salas, como o que guiou o processo criativo de Paul Nawrata. Depois de 15 anos como DJ na noite austríaca, especializado no género hip-hop, Nawrata, que assina, agora, Urbs, foi remexer nas suas influências mais antigas e propôs-se musicar o filme da sua vida – é disso que se trata ao longo das 11 faixas de Toujour le même film..., apesar de estar lá uma versão, muito lisonjeira para o original, de The Chauffeur, dos Duran Duran – e isso mesmo torna-se nas letras, narrativas sinceras que nos transportam para o universo de Nawrata e, se quisermos, nos deixam integrar o exclusivíssimo elenco deste filme.Peter Kruder (Kruder & Dorfmeister, Tosca...) – o seu nome aparece estampado num autocolante aposto à capa – ficou de tal forma impressionado com as primeiras demos que chegaram à sua G-Stone (eram seis músicas), que decidiu, de imediato, co-produzir o disco. Toujour le même film... é um trabalho exemplar de arquitectura sonora e revela um requintado bom-gosto na criação de atmosferas sonoras melancólicas, românticas, misteriosas, matreiras e plenas de suspense, bem ao estilo dos filmes franceses dos anos 60. Apesar de as influências estarem situadas lá longe, à distância de décadas – Enio Morricone, Serge Gainsbourg, Francis Lai e, naturalmente, as bandas sonoras de muitos filmes, em especial franceses –, o disco de Urbs é muito actual: foi editado em 2005 e é do melhor que se tem feito no mundo da música electrónica.
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