sexta-feira, 23 de março de 2007

Super Popp

A armadilha foi cuidadosamente montada e revelou uma eficácia implacável: a pose da actriz Virna Lisi, o ambiente retro-kitsch dos anos 60, o preto-e-branco e o nome do disco, La Dolce Vita, a remeter para Itália, mais propriamente para o universo felinniano (La Dolce Vita, 1960, realizado por Federico Fellini, com Marcello Mastroianni e Anita Ekberg). É uma das melhores capas dos últimos tempos. E os discos também se compram pela capa (pelo menos eu compro). É um risco, claro, porque o resultado pode não passar disso mesmo: mais uma capa bonita. Não é o caso. A lista de 30 temas que preenchem os dois CDs – onde estão, entre outros, Sam Paglia, Koop, Pizzicato Five, Nino Rota, Marilyn Monroe e Tony Bennett – confirmam as suspeitas. Não são, contudo, aqueles valores seguros o melhor do álbum, por não serem particularmente surpreendentes. É mais interessante partir à descoberta dos desconhecidos e, neste domínio, houve uma música que me chamou a atenção logo aos primeiros acordes: Hip Teens (Don’t Wear Blue Jeans), da Frank Popp Ensemble, uma orquestra inspirada nos anos 60 que, confirmei uns dias mais tarde, valia a pena explorar. Mergulhei de cabeça no mundo Popp. Enquanto não chegavam os discos encomendados na internet – Ride On (2001) e Touch and Go (2005) – fui procurando mais informações sobre o senhor: é alemão, DJ e designer gráfico – foi ele que desenhou muitas das capas e flyers da editora Unique. Farto dos beats repetitivos do house, decidiu dar folga à electrónica e recuperar os velhos órgãos Hammond, os ritmos funk e R&B e a soul dos sixties. O resultado são dois discos bem dispostos e altamente dançáveis (estas são duas das principais funções da música) onde o talento de Popp, que gere de forma irrepreensível os samples electrónicos com as fórmulas musicais de há 40 anos, se junta à voz de Sam Leigh-Brown, também ela DJ. O resultado deste feliz encontro de almas gémeas percebe-se em The World is Waiting , do primeiro disco, e em Love is On Our Side , do segundo. São apenas dois exemplos (provavelmente não serão os melhores, mas é o que há no YouTube...) que aumentam a expectativa sobre o que está para vir. A confirmação está no site do próprio artista: depois de superada a difícil prova do segundo disco (Popp comprovou, em Touch and Go, que a sua genialidade não se tinha esgotado), o terceiro já está em andamento. Conseguirá aguentar-se?

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